Encontros e Desencontros

Como que uma necessidade moral de já ter colocado nesse blog uma carinha que seja minha, preciso publicar alguma coisa meramente lível. É lível, do ver LER, na minha conjugação.
Não que o que eu tenha a dizer vá ser lindo de ler, mas vamos lá.

Hoje fui na Saraiva. Eu estava lá só tentando enxergar aqueles milhares de livros, inutilmente,  já que esqueci o meu óculos em casa. E quando eu já estava cansada de forçar a minha vista na procura de algo que me interessasse a ler, pelo menos por ora, e caminhava em direção a saída, eu encontrei um livro. Uma trilogia, na verdade.

Dráuzio Varella
Prisioneiras
Carcereiros
Carandiru


Estava na promoção. 70 reais.

Pequei os livros na mão e fiquei olhando pra eles sem saber o que fazer. Pensei comigo: " Eu já havia lido um livro sobre mulheres na cadeia, não haveria nada que eu não saberia." Mas cada livro é um livro, e as histórias e as vidas são diferentes. Por mais que eles nos tratem como plural, nós somos singular.
Então, pedi ao moço que trabalhava lá que me mostrasse os livros separados. Por a trilogia estar em promoção, estavam plastificados juntos. Ele disse que compensava mais o pacote da trilogia, e eu lhe disse: " Eu só preciso olhar, pra ver se vou dar conta de ler sem chorar." Ele deve ter me achado louca.
Ele não tinha e então, acreditem, co ra jo sa men te eu pedi: "Eu só quero olhar o do CARANDIRU". É, o do Carandiru. Desse lugar horrível que eu nunca tive coragem nem de ver o filme, imagina ler o livro. E então ele o pegou e me entregou.
Eu peguei o livro na mão. Sentei num daqueles bancos, que a Saraiva disponibiliza pra gente, e fiquei olhando pra ele, respirando.   Li a capa, li atrás, respirei fundo e comecei.
Devo ter ficado sentada lá por uma hora. 
Morrendo por uma hora. 
Uma hora inteira.
O livro começa com uma imagem de cima, acredito que por satélite, do Carandiru.
Meu Deus, é tão desumano que eu nem sei como explicar.

Eu estava até sobrevivendo enquanto lia, estava até me saindo "bem" e então, chegaram as imagens. As imagens dos corredores, das celas, dos pavilhões vistos de fora.
Eu estava realmente pensando em levar os livros pra casa, e aí chegou nas imagens...
Eu levantei por impulso, sai da livraria em desespero, com a cabeça cheia de imagens que eu nem sei como descrevê-las. Só queria fugir dali, de tudo que li e vi.
Andei pelo shopping como se a vida não fizesse sentido e como se o ser humano fosse realmente o que ele é.
E aí eu liguei pra minha mãe e contei o que vi. O que li.
E agora eu to no meu quarto, lembrando desse desastre no momento em que decido descansar.
E eu até ia colocar uma foto, daquelas que tinham no livro, aqui, mas a minha cabeça não vai dar conta.
E eu nem sei mais o que dizer.
É como se o mundo te calasse. E por mais que você queira TER o que dizer, você está abismada demais pra pensar em alguma coisa que não seja o horror  que você sentiu.

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